Como diagnosticar e tratar o autismo em crianças?

Criança brinca com peças de encaixe. Imagem de Freepik.

Autismo. Imagem de Freepik.

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O que é autismo?

O autismo, ou Transtorno do Espectro Autista (TEA), é um transtorno do desenvolvimento do cérebro causado por questões biológicas. Estima-se que 1 a cada 100 crianças no mundo apresente autismo de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Os sintomas podem ser variados e costumam se manifestar inicialmente na infância, sendo notados em torno dos 2 anos de idade, entretanto em casos mais graves pode haver alguns sinais antes mesmo dessa idade.

Os primeiros sinais costumam envolver atraso ou perda de algumas habilidades esperadas para a idade, os chamados marcos do desenvolvimento. É importante salientar que outras condições também causam esses sintomas, sendo imprescindível a avaliação profissional para realizar o diagnóstico.

Outros sintomas que também podem estar presentes:

– Dificuldade em realizar o chamado “brincar imaginativo”, ou seja, o “faz de conta”;

– Dificuldade de socialização e comunicação;

– Interesse muito grande por algum tema específico;

– Movimentos estereotipados (repetitivos e específicos);

– Desconforto desproporcional com sons ou texturas específicas.

É bastante comum que a pessoa com TEA apresente alguma comorbidade neurológica / psiquiátrica, como Transtorno Depressivo, de Ansiedade, TOC, Epilepsia, entre outros. O diagnóstico das comorbidades também se faz importante, pois permite tratamento adequado.

É comum encontrar fake news relacionando o autismo a vacinas, porém, não há qualquer relação entre as duas coisas.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico do TEA é feito, principalmente, a partir do relato das pessoas que convivem com a criança e da observação de sinais e sintomas pelos profissionais de saúde da equipe que avaliará a criança. Essa avaliação pode não ser concluída no primeiro encontro, tendo em vista a subjetividade e a quantidade de quesitos a serem observados. É possível a aplicação de alguns questionários para ajudar no diagnóstico.

Não há um exame de sangue ou de imagem que possa ser feito para diagnosticar o autismo. Entretanto, em caso de suspeita e avaliação para realizar diagnóstico diferencial, alguns exames podem ter utilidade.

A avaliação neuropsicológica pode ser útil, principalmente no sentido de identificar as limitações de cada indivíduo e direcionar melhor o tratamento.

Existe uma classificação em 3 níveis de gravidade, variando de acordo com a intensidade de apoio que a pessoa precisa para seu desenvolvimento e desempenho das atividades esperadas.

Tratamento

O tratamento de cada pessoa com TEA será único, baseado no suporte necessário para realizar seu desenvolvimento e atividades, assim como suas habilidades e necessidades específicas. O acompanhamento deve ser realizado com equipe multidisciplinar, ou seja, profissionais de várias categorias costumam contribuir. Por exemplo, médicos, psicólogos e terapeutas ocupacionais.

O uso de medicamentos pode ser considerado para controle de alguns sintomas do TEA ou de alguma comorbidade que afete a qualidade de vida da pessoa e da família. Por exemplo, insônia, agitação, agressividade e ansiedade.

Carolina Caldas: Médica formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e Médica de Família e Comunidade pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  CRM 520107347-8